CARLOS MENSIL

PENSAR NO VAZIO

Inauguração a 9 de Junho 2018 às 16H

           
 


pintura, entre pensamento e percepção

 

As peças que Carlos Mensil apresenta na Galeria Presença constituem-se como imagens-movimento, forças que se deslocam entre o pensar-pintura e o devir-pintura.

 

A pintura é uma força actuante, um corpo que se move, porque, em primeiro lugar, é uma coisa (um corpo) e porque é uma coisa que pode ser pensada (por outro corpo).

 

Na exposição apresentam-se 14 peças recentes (realizadas entre 2017 e 2018) que exploram sobretudo as possibilidades da chapa de aço inoxidável como matéria de representação; um vídeo/animação acompanhado de um som e duas peças com motores, ímanes e esferas de aço. Mas, não menos importante, há, como contraparte, uma dimensão invisível: o som que não coincide com a acção, os objectos que se movem sem razão aparente, a luz e os reflexos do plástico que envolve algumas das estruturas-moldura.

 

Aquilo que interessa a Carlos Mensal não é nomear a pintura mas, antes, abrir um espaço de reflexão sobre a pintura como linguagem e como acontecimento. No fundo, toda a exposição se passa num lapso, num intervalo (de tempo, de espaço), propriamente no vazio. Tudo se apresenta em negativo: a imagem surge como analogia, o objecto como força magnética que se move por vontade própria.

 

Não estamos longe de uma pulsão animista, própria do acto de fazer alguma pintura: coisas que ganham vida própria, fugindo ao domínio, à mão do próprio artista. Na realidade, no sentido material ou substancial do termo, não vemos quase nada (o artista trabalha em redução); vemos, sim, no sentido fisiológico ou fenomenológico: trata-se de um corpo de propostas que opera (em expansão) no espaço do invisível, entre aparecer e desaparecer.

 

Ou, para parafrasear o artista, tudo o que pode ser pensado não está morto. Embora a pintura seja paradoxalmente e por definição uma reflexão sobre o tempo que inelutável e imperceptivelmente nos conduz àquele lugar (poderíamos em rigor dizer “àquele tempo”) desconhecido a que convencionámos chamar morte. 

 

Nuno Faria